sábado, 23 de setembro de 2017

Gesto vergonho


É prática comum em todo o lado.
Época de eleições significa época de abraços, beijinhos, areia para os olhos.
Confesso que com o mal dos outros posso bem, mas revolta-me quando esse mal – essa prática nojenta – é praticada por quem é, ou deveria ser, próximo de nós. Redundância, é certo.
Esta manhã, uma equipa ao serviço da EDP Distribuição Energia andou a colocar 4 ou 5 candeeiros de iluminação pública de tecnologia led no monte dos Pisões em Quintos.
Disseram-me que se tratou de um pedido do Senhor Presidente da Junta.
Disseram-me, também (e não é novidade!), que deveria haver eleições todos os meses.
Deixem-me dizer-vos que, todavia o benefício do reforço de iluminação pública, se as eleições são para isto, era preferível não haver eleições.
É, no mínimo, um gesto vergonhoso, reconhecendo que a vergonha é algo demasiado volátil em política.

 

sábado, 10 de junho de 2017

O elixir da juventude


«Ambrosia, apetecia-me algo». «Tomei a liberdade, senhora….».
Não, não é uma versão estilo “mordoma” da Ferrero.
É a moda atual, chamam-se Startups.
Esta, a Ambrosia, oferece-lhe retroceder uma infinidade de anos na sua forma de ser e estar.
Como?
Simples, têm um lote de sangue de jovem à sua disposição que faz regredir a sua idade biológica.
E isto funciona?!
Bem, em laboratório a coisa funcionou em ratos…
Ah, já agora, a “coisa” tem um custo de USD 8.000,00 dizia a Newsweek na passada sexta-feira, 9.

 

domingo, 4 de junho de 2017

Azucrinando

«No dia 27 de maio vai ter lugar o 1º Festival de Bombos em Beja. Nove grupos de tambores (...) vão azucrinar os ouvidos dos que tiverem a infelicidade de estar por perto».
Esta frase - bombástica! - é de autoria de Vítor Silva, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, na Rádio Pax, citado no Diário do Alentejo esta semana.
Ninguém é obrigado a gostar de bombos, nem tão pouco o sr. Vítor Silva, mas quando se desempenham funções públicas os nossos gostos pessoais ficam na intimidade. Este sr. perdeu uma bela oportunidade de ficar calado ou, perdeu-se uma oportunidade para, alguém de direito, o calar.

Foto: YouTube

domingo, 28 de maio de 2017

Vendedor de luares

José Eduardo Agualusa escreveu um bonito livro que se intitula «O Vendedor de Passados» (D. Quixote, 2008).
Os maganos da fotografia vendem outro tipo de ilusão, vendem luares.
Bonita ilusão, sem dúvida!
Foto: resgatada de pplware




domingo, 7 de maio de 2017

O Dia do Esquecimento


Não há o dia do esquecimento, porque são muitos, para ser mais preciso, são 364 dias no ano comum, no bissexto há que somar mais um.
Eu sei que tenho queda para desmancha-prazeres, e vir para aqui com uma conversa destas neste dia é mais uma prova disso. É a vida…
E isto porquê?
Hoje é o dia da mãe, nos restantes dias nem nos recordamos que essa “coisa” existe (“coisa”, para os mais distraídos, leia-se mãe).
Mas há outros, há o dia do pai, há o dia da criança, há o dia da liberdade… Resumindo, no ano há sempre um dia de qualquer coisa, o resto do ano é aquilo que todos sabemos e fingimos não saber.

 

domingo, 16 de abril de 2017

Uma ponte aqui tão perto


Era a ponte mais emblemática da nossa região, a Ponte do Guadiana.
Fazia-se a sua travessia quer de automóvel quer de comboio. De automóvel, para além de termos que respeitar e aguardar a passagem do comboio, tínhamos que aguardar a ordem de passagem dada pelo guarda ferroviário de serviço, já que a ponte não permitia o cruzamento de viaturas, só tinha uma via de trânsito, sobre os carris do caminho de ferro.
Hoje (cheira a hipocrisia a utilização deste advérbio) a ponte para além de desativada apresenta este estado de podridão aqui fotografado por José Ramos.
Infelizmente não é apenas a ponte, mas todas as infraestruturas do extinto ramal de Moura que se encontram neste lastimável estado de podridão.

 

sábado, 8 de abril de 2017

Voz do Povo


É este o título de uma coluna do semanário Diário do Alentejo.
Esta semana a pergunta foi “Qual a causa da violência no futebol?” (tendo por base a agressão de um jogador da equipa de futebol Canelas 2010 a um árbitro de futebol).
A resposta eloquente – que transcrevo e subscrevo – de Fernanda Amaro, 54 anos, educadora de infância:
«O futebol deixou de ser um desporto para ser uma atividade empresarial, em que os clubes se preocupam exclusivamente com o resultado. As declarações de alguns dirigentes promovem o comportamento violento. Têm por isso responsabilidade na maneira como determinados adeptos se comportam. Falo de futebol, porque a violência que aí ocorre não se observa noutras modalidades.»

 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Brexit, to be or not to be


A simpatia tem limites...


Cartoon: Matt in TheTelegraph

O encanto da sereia


A sereia sempre encantou o homem, pelo menos em sonhos (ou pesadelos!).
A sereia da imagem (não duvido que possa encantar alguns homens) mas a sua missão é encantar as crianças que diariamente visitam o Aquário de Virgínia, EUA.


Foto: Steve Helber | AP

sábado, 1 de abril de 2017

O Pardal


Diz-se em Quintos (não sei se apenas em Quintos) que o pardal gosta da companhia dos humanos. Nos montes habitados há pardais, quando esses montes ficam desabitados os pardais também emigram. Diz-se.
Ontem, escrevia no Diário do Alentejo Vítor Encarnação na sua coluna “nada mais havendo a acrescentar...” o texto que transcrevo e subscrevo, apetecendo-se dizer, passe a imodéstia, “também sou Pardal” ou, como hoje virou moda “Je Suis Pardal”.
«Gosto de pardais. Os pardais são o proletariado dos pássaros. Na hierarquia dos pássaros, os pardais ficam na base, são a classe mais baixa. Abaixo deles não há mais nada.
Se os pardais tivessem nome, teriam nomes curtos e comuns e seriam mais conhecidos pelas alcunhas.
Os pardais são o povo e por isso não voam muito alto. Contentam-se com pequenos voos, vão ali a um bocadinho do céu e voltam felizes. Gosto de pardais porque eles não abalam quando faz frio, ficam, aceitam o vento e a falta de sementes e borboletas, acatam a míngua dos campos, buscam migalhas, assumem que há invernos e que depois haverá primaveras e com elas virão rouxinóis e pintassilgos e outros pássaros coloridos e de belas plumagens.
Há quem goste mais destes, eu prefiro os pardais.
Se os pardais tivessem boca, bebiam vinho tinto, comiam petiscos, cantavam em grupos corais, cantavam fado, traduziam filosofias para décimas de baldão e rimas de despique, diziam mentiras e verdades, falavam de bola, gritavam e beijavam.
Se os pardais soubessem o que é o tempo, escreviam poemas sobre a saudade, a esperança, a paixão e a morte.
Se os pardais tivessem dedos, abriam as gaiolas e soltavam todos os pássaros coloridos.
Os pardais são os pássaros mais parecidos com a nossa vida: uma inquietação coberta de penas.»