quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Segurança Está Segura?

A segurança é uma matéria que me é querida.
Como militar, desenvolvo a minha actividade na área da segurança. Não segurança aero-portuária.
Mas é justamente sobre a aero-portuária que vou falar, ou melhor, escrever.
Aos voos tendo como origem ou destino os Estados Unidos fica proibido:
Uso de telemóvel, GPS, internet, etc.
A tripulação não pode dar indicação do local nem trajectória/plano de voo, nem haverá recurso aos mapas virtuais de posicionamento da aeronave (isto no espaço aéreo dos EUA).
Não é necessário ser perito em segurança aérea para saber que estas medidas são folclore. Salvo se o receio da CIA e da NSA for de ataque por míssil terra-ar.
A segurança de uma aeronave faz-se no solo. Antes e durante o embarque. Depois da descolagem não há sistemas de segurança, a não ser contra-medidas para míssil.
É claro que há uma intenção nestas medidas “rígidas”. É desviar a atenção. Ao se implementar estas medidas de segurança, que de segurança nada têm, as pessoas acreditam que algo se está a fazer para as proteger e sujeitam-se aos sacrifícios. No entanto estas medidas escondem o cerne da questão: a segurança é feita no solo e, no caso do voo da Delta Air Lines essa segurança falhou. Ou melhor, a CIA e a NSA falharam.
Concordo e defendo que se deve não só intensificar como melhorar a segurança no embarque. Mesmo que isso choque mentes mais sensíveis e preocupadas com a privacidade (ou ausência dela) nessa metodologia de segurança. É um custo que todos temos de pagar para nossa própria segurança.
E nunca nos podemos esquecer: segurança total não existe. O risco está sempre presente. Em segurança a falha, técnica ou humana, nunca pode existir ou pelo menos, tem que ser minimizada a valores residuais. E aqui, não confundir falha com erro; são coisas completamente diferentes.
Quanto ao resto poupem-me.
Ou melhor, poupem os passageiros.

A Pobreza … de ideias

Há meses dizia-se que o governo de José Sócrates tinha um comportamento quase ditatorial.
Só fazia o que lhe dava na real gana. Arrogante. Desprezo pelos outros. Etc.
A maioria absoluta acabou.
Mas José Sócrates continua a governar.
A governar bem. Como sempre.
Sejamos sinceros, há décadas – muitas – que não víamos um Governo digno desse nome.
Pena é que não tenha corrido ainda com o esquerdismo residual do PS: M. Alegre, M. Soares, J. Sampaio e outros (poucos, felizmente).
Pena é que a Direita portuguesa, num puro acto de loucura colectiva, continue a atacar este governo.
O CDS vive para um homem: Paulo de seu nome. Tinham um homem que poderia dar uma nova dimensão ao CDS, Nuno Melo, mas já o despacharam para Bruxelas.
O PSD é uma coisa híbrida. Não sabe se deve ser Democrata ou Social (será socialista?!). Neste momento cheira a mofo e tornou-se amorfo.
Quanto aos comunas e afins, continuam a arrastar-se na lama que adoram: a maledicência.
Parece criminoso dizer isto, mas não é: o Partido Socialista é – neste momento – o único partido português com dignidade. Porque os outros é só pobreza … de ideias.

sábado, 26 de dezembro de 2009

À Procura do Rosto de Deus

Foi este o título da homilia de natal de D. José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa.
Lamenta D. José Policarpo a indiferença, o agnoticismo e mesmo o ateísmo da sociedade portuguesa.
Eu também lamento.
Lamento a indiferença e o ateísmo não da sociedade portuguesa, porque o comportamento dessa até é compreensível, mas da Igreja portuguesa.
A Igreja é composta não apenas por cardeais, bispos e padres. Mas também – e principalmente, digo eu – por crentes. Crentes praticantes, porque ser apenas crente e não ser praticante é pouco ou nada melhor que agnóstico.
Não me vou pronunciar sobre o comportamento da Igreja onde actualmente moro. É um grande centro urbano, ninguém conhece ninguém, e como tal, a Igreja pode utilizar isso como desculpa.
Vou-me pronunciar sobre o comportamento da Igreja na aldeia que dá título a este blog: Quintos.
Quintos é uma pequena aldeia com cerca de 100 habitantes residentes e dista cerca de 15 km de Beja. À semelhança de outras aldeias alentejanas todos, ou quase todos, se dizem crentes. Ir à missa, por exemplo, já vai contra os seus princípios.
Mas há resistentes! Há quem se desloque semanalmente à igreja para assistir à missa dominical.
São mais católicos do que aqueles que preferem ficar em casa?
Não! São menos católicos do que os que ficam em casa. Bastante menos!
Ser católico é praticar o bem. Ser católico é preocupar-se com o sofrimento alheio. Ser católico é ser solidário.
Em Quintos todos os que frequentam a igreja desprezam os outros. Tratam tudo e todos com indiferença e até, por vezes, com algum cinismo.
A esmagadora maioria dos habitantes de Quintos é idosa. Pobre. Carente. Carente até de afectos. Já alguém em Quintos viu aqueles que frequentam a igreja preocupar-se com o bem estar (ou mal estar) dos velhos e velhas de Quintos? Nunca! Até hoje – 26 de Dezembro de 2009 – isso nunca aconteceu!
Quem se preocupa são aqueles que não vão à missa.
Ah, mas esses não são católicos!
Não?!
Se calhar bem mais que os outros ...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal

É a capital do Estado de Rio Grande do Norte no Brasil. Lá trabalhei durante quatro anos de 1998 a 2002.
Reza a história que a cidade de Natal foi fundada no dia de … natal!
Corria o ano de 1599 e Portugal encontrava-se ocupado pelos seus vizinhos espanhóis.
Adorei lá trabalhar. Adorei lá viver. Adorei aquela gente. É, para mim, a melhor cidade do Brasil. A dimensão do Rio, SP ou BH torna-as cidades fantásticas. Mas nenhuma delas tem o encanto de Natal. Ponta Negra é o ex-líbris desta maravilhosa e pacífica cidade brasileira. Todos os anos faço questão – de honra! – de passar alguns dias em Natal.


Natal. Outro natal. A data, o acontecimento, o nascimento que é celebrado nesse dia. O The New York Times tem hoje por cima do seu logo a mensagem, com link para contribuição, “Hoje é véspera de Natal. Lembre-se dos mais necessitados”. É uma mensagem louvável. É uma contribuição para uma causa, não direi nobre, mas útil. Necessária. Eu contribui. Não com o que devia, é certo. Mas contribui. Sei que a minha contribuição em nada contribui para acabar com os mais necessitados. Os mais necessitados, os mais pobres, os sem-abrigo e indigentes são necessários. Sem eles não havia comissões para o combate à pobreza. Sem eles não podíamos fazer a nossa acção de graça nesta data festiva. Festiva para nós, não necessitados. Os outros não são apenas necessitados, são também necessários.
Se os pobres deixassem de existir, nós os ricos morreríamos no segundo seguinte.

Nota de rodapé:
Há cerca de dez meses o meu amigo Luís T convidou-me para escrever para o blog que ele iria criar. Recusei. Estava na altura numa missão que me impedia de publicar fosse o que fosse, mesmo sob pseudónimo. Hoje, apesar de estar a mais de 10 mil km de Portugal, decidi escrevinhar alguns textos. Até que a Drª. Deolinda termine a sua tese.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Aero Parque em Beja

Segundo o jornal Público o célebre Aeroporto de Beja - ou será do Alentejo? - afinal não passa de parque de estacionamento. Para aviões.
Eu acho que o deveriam ter feito subterrâneo para proteger os pobres aviões das intempéries alentejanas.
Há aqui uns anos, quando os alentejanos diziam que Alqueva ia servir para irrigar campos de golf e turismo os 'entendidos na matéria' diziam que eram calúnias!
Hoje, esses e outros 'entendidos' calam-se ...
Quanto ao aeroporto, só alguns parvos acreditaram que aquilo traria algo de benéfico para a região. Eu fui um desses parvos.
O tempo veio dar razão aos cépticos.
O tempo veio demonstrar que eu não tenho queda para bruxo.
O aeroporto de Beja ou do Alentejo é uma miragem.
Só faltam os camelos.
Será que faltam?!

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Sino - Boletim Paroquial de Quintos

Há dias que recebi O Sino – Boletim Paroquial de Quintos. Por motivos de ordem profissional e académica não me foi possível publicar este post mais cedo.
Escolhi para publicação uma crónica de Maria Susana Mexia “O Esplendor da Velhice”.
Nos dias que correm, e refiro-me à população idosa de Quintos, não há grande esplendor. Olhando para o passado recordam sofrimento, trabalho árduo de sol-a-sol, exploração e vida de miséria muitas vezes com fome. Olhando para o presente e ao que resta do futuro vêem insegurança, reformas miseráveis, médicos a teimar em receitar medicamentos de marca em vez de genéricos e, como tal, terem que os pagar.
No entanto há quem tenha uma velhice esplendorosa. Mas esses certamente nunca trabalharam.



O Esplendor da Velhice

A vida longa já não é um caso raro, nem uma excepção.
A ciência e a medicina no seu progresso vão retardando a chegada da morte e multidões de idosos, em número crescente, povoam a terra. No começo do século XX a esperança de vida rondava os 40 anos, hoje aproxima-se dos 80.
A velhice é um período rico e luminoso que permite contemplar serenamente o passado e dar um sentido pleno a toda a existência.
O menosprezo pelo idoso será um sinal de pobreza espiritual, pois a experiência da vida só ele a tem, só ele tem histórias para recordar e contar, só ele se pode dar ao luxo de olhar para trás e sentir a tranquilidade da missão cumprida.
No entardecer da vida, a hora da velhice pode também ser um tempo para rezar por tudo e por todos, pelos que já partiram, pelos que ainda cá estão e por todos os que hão-de vir.
Para alguns, os que não tiveram a felicidade de encontrar Deus no seu caminho poderá até ser um momento de conversão.
Abandonar o passado, o presente e o futuro nas Suas mãos é uma fonte de leveza, de serenidade e de Paz.
O recurso ao Sacramento disponível para esta idade – a Unção dos Doentes – é ainda uma forma de preparar a viagem no último capítulo da história terrena.
“Fica connosco Senhor por que se faz tarde e a nossa vida está a chegar ao fim” é um apelo no crepúsculo, na hora da viragem, é a ânsia da chegada à pátria definitiva para todo o sempre.
No dizer de Guies Deleuze – filósofo francês – a velhice será uma sabedoria e uma arte de bem saber acabar de viver.

Maria Susana Mexia

Nota: Por motivos académicos – fase final do doutoramento – não me é possível continuar a escrever neste blog. Publicarei apenas, mensalmente, uma crónica do Boletim Paroquial de Quintos. Depois de terminar o doutoramento retomarei, se me for permitido, as postagens com a periodicidade que tinha até aqui.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Presente ... ausente!

No Natal também se educa.
Os presentes de agora já não são como antigamente. São mais formativos.



Cartoon de Bruno Taveira in http://humorgrafe.blogspot.com/

sábado, 12 de dezembro de 2009

Democracia ou Populismo

Existe uma mulher em greve de fome para impressionar a comunidade internacional e para que esta pressione o Rei de Marrocos a autorizá-la a juntar-se a seus filhos.
Trata-se de uma forma de pressão que joga principalmente com os sentimentos das pessoas.
Porque somos todos, ou quase todos, corações de manteiga, estes tipos de manifestações atingem sempre, ou quase sempre, os seus objectivos.
Cai sempre bem sermos solidários com essa gente. Se essa gente for de esquerda ainda melhor!
Fez na passada 3ª feira, 08 de Dezembro, um ano que Liu Xiaobo foi preso.
Ele não se queria juntar a seus filhos. Ele apenas disse, e subscreveu um documento nesse sentido, que queria democracia no seu país, a China.
O seu pedido foi considerado de ofensa grave. Subversivo! (O meu avô disse-me que no tempo do Dr. Oliveira Salazar também chamavam subversivos aos que lutavam contra o Regime. Coincidências …)
Mas sobre este professor universitário Liu X. o que dizem os Eurodeputados portugueses, ibéricos ou europeus?
- Liu Xiaobo?! Quem é esse fulano?
- Ninguém! (parafraseando Frei Jorge in Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett).

A foto foi retirada da Wikipedia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Nobreza das Causas

Há Causas Nobres.
Uma mulher - no caso, Aminatu Haidar - pede que a comunidade internacional pressione o Reino de Marrocos a permitir que ela se possa juntar aos seus filhos.
É legítimo.

Há causas plebeias.
Um povo - no caso, o povo Saharaui - que há decadas luta pela independência do seu país, é uma causa sem importância. Incómoda. Irritante. No fundo, plebeia, na forma mais abjecta que plebeia possa ser.

No primeiro caso - de A. Haidar - os Senhores Eurodeputados Ibéricos Exigem à UE a suspensão de acordo de associação com Marrocos.

No segundo caso - a luta do povo Saharaui - não me recordo de os Dignos Eurodeputados terem dito à UE para olhar para aquela região do globo onde um povo luta diariamente para ser Livre.
Curiosamente, os Ilustres Eurodeputados não sabem nem nunca ouviram falar, que até um Muro da Vergonha lhes foi imposto.

Pelo Natal, alguém deveria oferecer como prenda aos Ilustres Eurodeputados Ibéricos um Muro da Vergonha.
Ou um Muro das Lamentações ...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Just Ice

Vou eu muito tranquila na estrada e, por descuido ou inépcia, provoco um acidente em que morrem quase 20 pessoas.
A justiça atribui-me uma pena inferior a 5 anos e, como sou primária, fico cá fora com pena suspensa.


O meu vizinho chega a casa e encontra a porta arrombada. Lá dentro encontra o ladrão a violar o seu filho de 8 anos. Puxa da pistola e mata o ladrão/violador.
A justiça atribui-lhe uma pena de prisão efectiva. E se o ladrão abatido for familiar de alguém importante 25 anos de cadeia ninguém lhe tira.

Em justiça todo o tipo de sanção é legal. Em Justiça já não é bem assim.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Humor Antigo

Retirado do blogue Humor Antigo, esta preciosidade de 1939  ainda hoje se aplica a tanta coisa.
Oh, se se aplica!!

A Virgindade

Sempre que posso visito o blogue Café Margoso. Hoje deparei-me com um post que não pude de deixar de partilhar convosco.
Com os meus agradecimentos ao Café Margoso e sem mais comentários, cá vai ...

Já não sou virgem ...

A família jantava tranquilamente quando, de repente, a filha de 12 anos comenta:
- Tenho uma má notícia. Já não sou virgem! Sou uma vaca! E começa a chorar convulsivamente, com as mãos no rosto.
Silêncio sepulcral na mesa! De repente, começam as acusações mútuas:
- Estava-se mesmo a ver! - diz o marido à mulher. É por te vestires como uma puta barata e arregalares o olho ao primeiro imbecil que vês na rua. Claro que isto tinha que acontecer, com o exemplo de mãe que a menina vê todos os dias!
Vai daí o pai aponta também para a outra filha, de 25 anos:
- E tu também, que ficas no sofá a lamber aquele palhaço do teu namorado que tem é pinta de chulo, na frente da menina?
A mãe não aguenta mais e grita:
- Ai é?!...E quem é o idiota que gasta metade do ordenado com putas e se despede delas à porta de casa? Ou pensas que eu e as meninas somos cegas? E, ainda por cima, que belo exemplo dás desde que assinas esta maldita TV cabo, passas todos os fins-de-semana a ver pornografia de quinta categoria e depois acabas na casa de banho com gemidos e grunhidos?
Desconsolada e à beira de um colapso, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula, a mãe pega na mão da filhinha e pergunta-lhe baixinho:
- E como é que isso aconteceu, minha filha?
Entre soluços, a menina responde:
- A professora tirou-me do Presépio! A Virgem agora é a Luísa. Eu vou ser a vaca!
 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Clima em Copenhaga

A previsão meteorológica aponta para hoje céu encoberto e temperatura entre os +5º e os +8º C.
Quanto à Cimeira que hoje começa, está com o céu mais encoberto e a temperatura bem mais baixa.
O objectivo: Há que reduzir os níveis de poluição para que o futuro não seja tão negro como se prevê.
Até aqui todos de acordo.
Mas quem é que vai reduzir?
Bom, em principio os mesmos de sempre. Os mais pobres, os que menos poluem, os mais dependentes dos grandes.
Os Estados Unidos da América continuam a ser os campeões do mundo em emissão de CO2.
Um país que polui muito e não consegue (ou não quer) reduzir os níveis de emissão pode comprar créditos para poder continuar a poluir. Livremente. Legalmente.
Outros, por exemplo o Canadá que está a poluir + 30% do que se comprometeu em Quioto, continuam a poluir e nada lhes acontece.
Se esta Cimeira de Copenhaga é para parir acordos e compromissos semelhantes aos de Quioto … é melhor que se dediquem à pesca.

PS – Para quem gosta de ver estes resultados de emissão de CO2 em 'tempo real' aqui fica um endereço: Breathing Earth.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Melhor Post de Novembro

O post eleito este mês retrata uma situação que não sei se é ficcionada ou real. Também pouco importa porque todos nós conhecemos alguém que já viveu uma situação igual ou semelhante.
Há um grupo de indivíduos - por todos nós conhecidos - que, por viverem num patamar superior, nada disto lhes acontece.
Quando vamos a uma consulta médica e nos acontece uma coisa destas, costumamos dizer que saímos de lá com cara de parvos. Mas isso só acontece porque, por respeito, tratamos o médico em causa com o respeito que ele não merece. Dispenso-me a adjectivar a actuação do médico.
O post eleito, encontra-se neste blogue.

Que todos os males sejam estes ... II

- Bom dia, Sr. Dr.
- Bom dia, então o que a traz por cá?
- Está marcada para hoje a intervenção.
- Ahhh...pois, tem razão. Trouxe consigo os exames?
- Estão aqui.
- Humm...sim...pois...já tem 3 meses.
- Sim, não consegui marcação de cirurgia para mais cedo.
- Pois...compreendo. Então fazemos assim: como estamos perto de Dezembro e é complicado para os serviços acompanharem o pós cirúrgico, vou passar-lhe novos exames e no dia 04 de Janeiro, vimos os resultados e marcamos a intervenção. Parece-lhe bem?
- Bem, bem não parece, uma vez que desmarquei a semana e adiei tudo o que tinha programado.
- Então reprograma tudo e em Janeiro iniciamos o ano em força. Prazer em vê-la e até Janeiro.
- (...) até Janeiro (...)

Escrito por Lizard King, 23 de Novembro de 2009


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Portugal independente. Sempre!

No dia 1 de Dezembro de 1640 um punhado de portugueses, mas para glória de muitos, restaurou a independência de Portugal.
Os espanhóis não lhe acharam piada nenhuma.
Houve portugueses que também ficaram muito desgostosos.
Aliás, ainda hoje há portugueses que gostavam que Portugal não existisse como país.
Outros há que tudo fazem para que Portugal seja o menos independente possível.
A soldo de quê ou de quem, não sei.
Mas que os há, há!



Portugal é um tratado

Entrou hoje – 01-12-2009 – em vigor o Tratado de Lisboa.
Se eu disser que 50% dos portugueses não conhecem o tratado, não estou a mentir. Mas também não estou a dizer a verdade. A percentagem é muito maior.
Tirando “meia dúzia” de portugueses que, por questões de ordem profissional, tiveram que ler e estudar o Tratado de Lisboa, o resto da população não faz a mais pequena ideia do que seja o tratado. Não tenho dúvidas que este nível de desconhecimento se aplica aos restantes 26 países da comunidade. Mas, como diz o povo, com o mal dos outros posso eu bem.
Se alguém perguntar aos senhores deputados da Nação se conhecem o Tratado de Lisboa, todos dirão que sim. Não porque o conheçam, mas porque têm vergonha de assumir o desconhecimento.
Os portugueses deveriam ler o Tratado de Lisboa?
A resposta é óbvia. Não.
E porquê?
Simples. Porque não nos diz respeito.
Fomos consultados se o referido tratado nos interessava?
(por uma questão de sanidade mental não vou fazer qualquer comentário às promessas eleitorais que todos fizeram sobre esta matéria)
Não.
Porquê?
Bem, porque o governo tem poderes para decidir em nosso nome. Tanto assim é que vendeu parte da nossa soberania, substituiu a moeda portuguesa por uma estrangeira, no edifícios públicos está hasteada um bandeira estrangeira com a bandeira portuguesa (por enquanto) a seu lado. Nada me admirará que qualquer dia o Hino Nacional seja proibido …
Mas o mais irritante é que fazem tudo isto e dizem que é em nosso nome!
Será que somos todos uma cambada de atrasados mentais que se formos consultados sobre estas matérias só fazemos merda?!

domingo, 29 de novembro de 2009

O Sacrifício

A vida é cada vez mais um sacrifício.

Sacrifício de ordem económica, social, politica, e outras.

Até para aturar certa gente temos que fazer um sacrifício dos diabos.

Fazer um sacrifício em honra de um deus é uma coisa que não compreendo.

Também não compreendo fazer um sacrifício para acalmar a ira divina.

Para mim, um Deus – digno desse nome – jamais poderá ficar contente que se mate em Seu nome.

Nestes últimos mil anos muita gente tem morrido em nome de deus. Não em nome de Deus.

sábado, 21 de novembro de 2009

A Caução da Justiça

Na nossa justiça há uma coisa – entre outras – que ainda não percebi.
A Caução.
Para que serve?
Se o indivíduo caucionado fugir o Estado fica com o dinheiro. É isso?
Se o indivíduo caucionado cometer outro crime igual ou semelhante ao que está indiciado o Estado fica com o dinheiro. É isso?
Se a intenção do juiz e do legislador for essa, só pode ser anedota.
Publicava a TSF ontem que Paulo Penedos vai pagar caução de 25 mil euros.
É o mesmo que a empregada da minha mãe que ganha pouco mais que o ordenado mínimo lhe aplicassem uma caução de 3,24 €.
Se não é ridículo sou muito burra.
E depois vem o ilustríssimo advogado Sá Fernandes dizer que “as medidas de coação aplicadas são razoáveis e equilibradas”.
Pudera!
Também era só o que faltava dizer que o valor exigido pelo tribunal era excessivo.

Ilustração desviada daqui

Olá, Cá Estou Eu!

Já havia alguns meses (mais de seis) que não escrevia num blogue.
A minha vida académica e pessoal tem me prendido de tal for
ma que não tem restado tempo para o fazer.
Confesso que a vontade também não tem ajudado.
Ontem, sexta-feira (curiosamente véspera do meu 24º aniversário) recebi o convite do Dr. Luís, amigo da minha família há muitos anos, para escrevinhar no seu
blogue.
Pedi-lhe algum tempo para pensar.
Aqui para nós, como não conhecia o blogue queria primeiro vê-lo e depois decidir. Como já se devem ter apercebido, aceitei.
Ainda não conheço a Drª Deolinda, mas vai ser para mim uma honra participar nesta equipa.
Dentro de alguns instantes vou publicar o meu primeiro post subordinado ao tema A Caução da Justiça.




Nota: A imagem "Olá" foi roubada daqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Muros Caídos. Esperanças em Baixo.

O Blogue Humorgrafe publicou na passada 3ª feira - 10/11 - o post que passo a transcrever, com os meus agradecimentos.

"Queda de Muros e Paradigmas

Vinte anos após o derrube do Muro de Berlim, que simbolizou o fim do comunismo no leste da Europa, é geral a insatisfação com o capitalismo no mundo. Numa sondagem para a BBC, só 11% dos inquiridos em 27 países consideram que a economia capitalista funciona bem."

É óbvio que o muro tinha que cair. Aliás, ele nunca deveria ter existido. Tal como milhares de quilómetros de muros que continuam a existir um pouco por todo o planeta com fins de separação ética, politica, religiosa ou outra. A estes muros assobiamos nós para o ar ...
O capitalismo não funciona bem. Pior. Funciona cada vez mais mal.
Não é apenas o capitalismo de Portugal ou aqui dos Estados Unidos a que me estou a referir.
São todos! Ou quase todos.
Nos pasíses nórdicos o capitalismo se não funciona bem, funciona seguramente melhor que nos restantes países. Infelizmente ainda não visitei nenhum desses países.
Eram bom que copiássemos o que os outros fazem bem.
Mas não. Temos a tendência (será genética?) para copiar apenas o que os outros fazem mal.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os Intocáveis

Transcrevo, com a devida vénia ao blog Cantigas de Maio, parte do post com o título Os intocáveis.
O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
Mário Crespo, DN
[...]

Entretanto, Armando Vara, que naturalmente começou por declarar-se inocente, foi constituído arguido no processo Face Oculta e forçado a abandonar a administração do BCP.
José Penedos que, tal como o seu filho Paulo Penedos e Armando Vara, foi também constituído arguido, decidiu demitir-de da presidência da administração da REN. E a procissão ainda vai no adro.
Mas é melhor não alimentarmos muitas expectativas. Com a permissividade da lei portuguesa e a lentidão da nossa Justiça, duvido que seja desta que o peixe grosso seja metido na grelha. Para mal desta apodrecida democracia em que cada vez mais a maioria das pessoas desacredita.
Postado por Aurélio Malva às 5.11.09

Subscrevo o post de Aurélio Malva

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ocultar a Face

Há cada vez mais ocultações. E maiores.
Há quem oculte muita coisa. Há quem consiga ocultar coelhos, tigres, aviões e até a estátua da Liberdade. Estes são mágicos.
Há os que ocultam a verdade. Estes são mentirosos. Também são conhecidos pelo nome de poderosos.
Há quem suborne. Há quem seja subornado. Há quem aconselhe até onde pode ir o suborno. Mas é tudo mentira! Não senhor, nunca, jamais, em tempo algum ... etc e tal.
E quem isto diz oculta a face?
Não. Dá a cara. Ou será a outra face?!
Que há gato escondido (ou oculto) com o rabo de fora, ninguém tem dúvida.
O gato vai ser apanhado?
Ou o gato irá ocultar também o rabo?
A história recente diz-nos que o rabo do gato vai, mais cedo ou mais tarde, desaparecer.
Ontem, antes de sair de Quintos, dizia-me o tio Júlio:
 - Lembras-te Luís, há aqui 15 ou 20 anos, quando a televisão, a rádio ou um jornal noticiavam um atentado que fizera 5 ou 6 mortos, todos nos arrepiávamos. Hoje perante uma notícia de dezenas de mortos num atentado nem uma mera palpitação nos dá. Há aqui uns anos se alguém falava na possibilidade de um famoso/rico/poderoso ser corrupto, caía o Carmo e a Trindade. Hoje fala-se em corrupção dos grandes e poderosos e as pessoas já nem ligam.
 - Por habituação? Perguntei eu.
 - Não! Nos atentados é porque ficámos demasiado mansos. Na corrupção é porque sabemos no que isso vai dar. Em nada!

É desta descrença popular que eu tenho medo.


sábado, 7 de novembro de 2009

A Ordem das Páginas

Um peul e um bambara que partilhavam a mesma prisão souberam pelo guarda que um dos dois seria castrado por ordem do rei e ao outro cortariam a cabeça.
O peul, mais manhoso que o bambara, começou logo a queixar-se, gritava que lhe doíam muito os testículos, muito, e que pedia alívio. Gritou tanto que o guarda acorreu, armado com um sabre afiado, e desembaraçou-o dos dois objectos do seu mal. O peul sofreu cruelmente durante o resto da noite, mas, no fundo, regozijava-se por ter salvo a cabeça.
Ao lado dele, o bambara dormia pesadamente.
De manhã o rei mandou-os chamar e anunciou-lhes que estavam livres. O seu castigo tinha sido revogado.
O peul lançou-se num série de imprecações e gemidos: o bambara tinha salva a vida, queixava-se ele, e eu perdi os meus testículos!
- Nunca se deve ler a página 5 antes da página 4 – disse-lhe o rei.

Jean-Claude Carrière in “Tertúlia de Mentirosos

A Hipocrisia da Amizade

Cheguei hoje a Quintos.
Já cá não vinha há cerca de um mês.
Para não fugir à regra fiquei hospedado na casa do tio Júlio. O tio Júlio diz que eu não sou um hóspede. Sou, não apenas um filho da terra como também um filho da casa. Emociona-me quando me diz isso. Revela a grande Amizade que existe entre nós, apesar de não haver qualquer laço familiar.
Quando olho para o tio Júlio interrogo-me, por que será que não somos todos como ele?
Puros, sinceros, amigos dos seus amigos.
Até em Quintos a amizade já não é como outrora. Até aqui, nos confins do Alentejo, a amizade já navega nos mares do favor, da influência, da intriga, do poder. É-se amigo por interesse … ou por medo. Estar no grupo errado de amigos é perigoso. No mínimo é-se ostracizado.
Hoje vejo pessoas em Quintos a dizer e a fazer coisas que há pouco mais de dez anos condenavam. Hoje são amigos e defensores de pessoas que há dez anos criticavam e até odiavam.
Foram os outros que mudaram?
Não.
Foram eles que se adaptaram.
Foram assimilados.
Perderam a verticalidade.
Hoje são cães de fila de um dono que continua a ostraciza-los. E eles sabem disso.
Hoje cumprem à risca o que o dono manda. Sem sequer pensar se está correcto ou não. Porque pensar, há muito que deixou de ser uma actividade dos seus cérebros.

domingo, 1 de novembro de 2009

O Sino de Outubro

Recebi há pouco, via e-mail e de mão amiga, O Sino – Boletim Paroquial de Quintos.
Está diferente. “Colunistas” novos: Bárbara Ferreira, Ilda Henriques, Afonso Ribadouro. Ninguém de Quintos. Não acredito que alguém em Quintos saiba quem são, a não ser o senhor diácono.
Escolhi, para aqui publicar, um texto assinado por Bárbara Ferreira.


Direito à Vida

O direito à existência é o direito de estar vivo, de lutar pelo viver, de permanecer vivo.
Existir é o movimento contrário à morte. A vida humana não é apenas um conjunto de elementos materiais, integram-na também outros valores – valores morais.
O direito à liberdade acompanha o direito à vida. Numa sociedade onde há leis, a liberdade não pode consistir em poder fazer o que se quer. É o direito de fazer tudo o que as leis permitem.
A liberdade é vista como igualdade na componente em que alguns direitos pessoais essenciais ao indivíduo com a vida, a liberdade e a segurança pessoal interagem com o intuito de proporcionar à pessoa um nível de condições de sobrevivência.
Liberdade opõe-se a autoritarismo. O conceito de liberdade humana deve ser expresso no sentido do homem se realizar pessoalmente e atingir a felicidade. O direito pessoal serve, não só, para reforçar a protecção do direito à vida, como também para garantir a integridade do ser.
Agredir o corpo é um modo de agredir a vida. Como alguém salientou, “é sempre possível morrer no lugar do outro, mas é radicalmente impossível assumir a experiência existencial da morte alheia”. No entanto, alguns países que proclamam a vida como princípio constitucional, admitem práticas como a pena de morte, a eutanásia e o aborto, que negam e agridem a consciência de toda a civilização. O carácter único e insubstituível de cada ser humano veio demonstrar que a dignidade da pessoa existe singularmente em todo o indivíduo e que nenhuma justificação pode legitimar a pena de morte. O homicídio voluntário é sempre um acto eticamente injustificável e inadmissível pelo que fomentá-lo é também uma forma de terrorismo.

Bárbara Ferreira

sábado, 31 de outubro de 2009

O Melhor Post de Outubro

Elegemos como o melhor do mês de Outubro o post “Aborto, Prevenção e Solução”.
Hoje, Dia Mundial da Poupança – curiosamente – vamos falar de aborto. O aborto foi, e ainda é, responsável pelo “voar” de muitas poupanças. Mas não é disso que o post fala.
A prevenção e solução para o aborto aqui defendida é pertinente. Discutível, sem dúvida. O tema do aborto é, ideologicamente, responsável pelo extremar de posições.
A tradução do castelhano para português é da minha responsabilidade. Como não domino muito bem o castelhano, queriam desculpar alguns erros de tradução que possam existir.
Vamos ao post:

A questão do aborto, já mencionado noutro post, tem a incrível capacidade de radicalizar posições. Possivelmente, é o tema que mais radicaliza a ideologia levando a muitos confrontos entre a "esquerda" e "direita".
Todos falam do aborto como uma solução limite, mas enquanto alguns falam em permiti-lo, em torná-lo num direito, outros preferem reprová-lo e proibi-lo.
No entanto ninguém apresenta soluções ou alternativas ao aborto. Se o aborto é considerado um último recurso, por que não fazer tudo para evitar chegar a isso?
Perante de um erro de qualquer tipo (não falo só do aborto), pode-se colocar sempre dois tipos de medidas. A preventiva, para tentar evitar, tanto quanto possível, que se cometa o erro. E a correctiva para, uma vez cometido, tentar minimizar o impacto ou danos para a pessoa que cometeu.
Uma gravidez indesejada é um dos grandes erros que se cometem. Para evitá-los são tomadas medidas como a disponibilização de preservativos, a pílula, etc ... uma multiplicidade de recursos que evitam que se possa chegar a conceber uma vida indesejada. Talvez devêssemos incidir mais na Educação, porém, na minha opinião, essas medidas estão sendo tomadas de forma razoável, não sendo necessário, por enquanto, ir mais longe.
No entanto, com a questão das medidas correctivas creio que estão a ser tomadas decisões erradas. Abortar para resolver o problema da gravidez indesejada parece um erro, pois o aborto, não podemos esquecer, é a eliminação de uma vida futura. Não vou questionar se um embrião é um ser humano ou não, porque é um debate absurdo. É claro que está destinado a sê-lo, tenha 3 minutos de vida ou 8 meses de ventre da mãe. A única diferença são as chances de sobrevivência. Então, se ele está destinado a ser uma vida, não deveríamos fazer todos os esforços para que essa vida chegue a bom porto (nasça)?
Se é isso que queremos, então temos de que evitar que essa vida se torne um problema para a mãe. Porque é evidente que uma gravidez indesejada é um problema para as mães. A própria palavra o diz (em castelhano gravidez diz-se embarazo, embaraço). “Não desejo ter este filho”. Mas cuidado com a interpretação que fazemos a esse "não desejo."
Esse "não desejo" não obriga ou implica o extermínio da futura vida. Claro que o aborto, como tal, iria resolver esse problema não desejado. Mas estamos a falar de vida futura, não o podemos esquecer. Se fosse a única e derradeira solução, talvez nós tivéssemos que aceitá-lo. Mas nos dias de hoje não podemos considerá-lo como um único recurso.
Se a mãe não quer ter esse filho não podemos obrigá-la a ficar com ele, é evidente que não o quer criar e, se o criar, não será da melhor forma, não lhe dará o amor e carinho que ele precisa. Mas se a forçarmos a ter a criança (no sentido de dar à luz), temos que tornar esse processo (da gravidez) o menos traumático possível. Ou seja, temos que dar todos os meios para que a mãe passe este período de sua vida da melhor maneira possível e aprender algo com dele.
Podemos aprender com todos os erros que se cometem na vida. Mesmo com os erros mais graves e as experiências mais traumáticas se pode aprender, o que impede, na maioria dos casos, que se volte a cometer o mesmo erro. Ao eliminar o problema precocemente, pode rapidamente resolver o problema, mas pode não ter aprendido o suficiente que impeça repetir o mesmo erro.
Por último, é indigno que não se facilite e agilize o processo de adopção. Para ser mãe ou pai biológico não é necessário formalidades ou exigências. Ninguém faz testes de aptidão para ver se está apto a cuidar dos seus filhos. Não há cartão de pai. E, no entanto, há centenas de abusos de crianças, muitas crianças foram abandonadas porque, obviamente, não eram desejadas.
Mas, para ser pai ou mãe adoptivos exige muitíssimos trâmites, requisitos e uma paciência infinita, pois têm que esperar a “ninharia” de 8 a 10 anos (pelo menos em Espanha), isto se conseguiu demonstrar que é bom pai para adoptar a criança.
Não será tempo de reformar o sistema de adopção, para facilitar que em qualquer momento uma mãe ou os pais possam dar aos seus filhos para adopção com facilidade para que outro casal, outra família (solteira, casada, gay / hetero, não importa ...) que o queira adoptar?
Com isto evitaríamos o enorme número de abortos que ocorrem todos os anos, reduzindo a enorme lista de espera para adopção.

domingo, 25 de outubro de 2009

A Prostituição de um Escritor

Há quem reze para que a venda dos seus livros suba.
Há quem pague para que se façam elogios aos seus livros.
Há quem venda a alma ao diabo para que se fale do seu livro … ou livrinho.
José Saramago não se encaixa em nenhum destes casos.
Porquê?
Porque não precisa.
Utiliza outros métodos.
Em primeiro lugar escreve bem. Já escreveu melhor, eu sei. Mas continua a escrever bem. É prémio Nobel da Literatura, valha isso o que valha.
Em segundo lugar não precisa de contratar peritos em marketing para promover a venda dos seus livros. Basta espicaçar o marasmo, a polémica instala-se e não se fala de outra coisa que não seja a sua pessoa (Saramago) e o seu livro (Caim, neste caso).
Pode haver outros métodos, mas melhor, mais económico e mais profícuo não há!
Julgar que Saramago é contra a Igreja, ou contra Deus é pura especulação.
Julgar que Saramago é comunista ou defensor dos mais desfavorecidos é também pura especulação.
Saramago é por ele e apenas por ele próprio.
É egocentrista e despreza tudo e todos.
Ele é capaz de tudo para que se fale dele.
Ele é capaz de tudo para que os seus livros se vendam.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Filho de Um Deus Menor


Não sou defensora que há filhos de um deus menor.
Como católica, todos somos filhos de um Deus Maior. De Deus único e omnipresente.
Mas se houvesse filhos de um deus menor, Saramago era seguramente um deles.
Saramago, à semelhança de qualquer cidadão, tem todo o direito de ser ateu, agnóstico, ou professar qualquer religião. O que ele nem ninguém tem é o direito de dizer barbaridades como se de um atrofiado mental se tratasse e ficar convencido que é culto ou inteligente.
Qualificar Deus como uma besta e a Bíblia como um tratado de horrores revela uma mente perversa, inculta e apagada de inteligência.
É legítimo qualquer cidadão questionar a existência de Deus ou o conteúdo da Bíblia. Mas não com o ódio com que Saramago o fez.
Confesso-me perplexa com o ódio que Saramago nutre por Deus, a Igreja, os crentes.
Será algum trauma infantil?
Terá ele sido violado em criança por alguém ligado à Igreja?
Apesar de demasiado velho, julgo que umas sessões de psicanálise não lhe fariam mal nenhum.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Melhor Desejo

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O génio libertado diz ao pescador:
- Formula três desejos que eu os executarei. Qual é o teu primeiro desejo?
- Ei-lo – disse o pescador. – Quero que me tornes suficientemente inteligente para que possa escolher na perfeição os dois desejos seguintes.
- Concedido – disse o génio. – E agora, quais são os teus outros desejos?
O pescador reflectiu por um momento e respondeu:
- Obrigado. Não tenho mais desejos.

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Jean-Claude Carrière in “Tertúlia de Mentirosos

NE - Só um Génio destes conseguiria dar inteligência aos actuais candidatos autárquicos à Freguesia de Quintos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Caça

Neste último fim de semana, aproveitando o feriado de 5 de Outubro e o convite de um amigo, regressei ao Alentejo, mais propriamente a Quintos, a fim de 2 coisas: rever os amigos e ir a uma caçada.
A caçada foi óptima: 8 perdizes, 3 lebres e 1 coelho! Há que tempos não matava um coelhinho! No final da caçada o almoço e convívio entre amigos e/ou caçadores foi fantástico!
No final do dia, como combinado, fui para casa do meu amigo Júlio*. É uma honra para mim ser recebido por um Velho e Amigo como o tio Júlio.
Depois de recordarmos os seus tempos de caçador e de caçadas, volta-se ele para mim:
- Já sabes da caçada que por aí vai?
- Caçada? Não me diga que já reabriu o “couto” municipal cá em Quintos?!
- A caçada que te falo é outra. Mais violenta.
- Eleições. É isso?
- É. O executivo da Junta esforça-se em terminar as pequenas obras em curso para lavar os olhos ao povo. Quer manter o tacho. Os outros, Carlos Cascalheira e companhia, andam de porta em porta a “exigir” que as pessoas votem na CDU.
- Oh tio Júlio, não me diga que já não é comunista …
- Ouve lá Luís, não te admito que ponhas o meu ideal comunista em causa!
- Desculpe tio Júlio, quis apenas espicaçá-lo um pouco.
- Sabes que sou comunista há mais de 60 anos! Não são meia dúzia de fedelhos que me irão fazer mudar. Nem agora nem nunca!
- Não me diga que não vai votar na CDU?!
- Sabes que há 8 anos votei no PS porque a isso fui obrigado. Não podia votar na mesma camarilha que praticou o desfalque de milhares de contos à Junta: Carlos Cascalheira, António Lopes e Mónica Correia. Quatro anos depois – vá-se lá saber porquê – a CDU coloca como candidatos os dois maiores especialistas em vinho de Quintos! Não tive outra alternativa que votar PS (outro sapo!).
- Foi o pior resultado da CDU na nossa freguesia …
- E o que esperavas? Com gentinha daquela. Agora pensava eu que finalmente ia votar no meu Partido! Sim porque eu voto PCP e não na CDU. CDU é lá para as grandes cidades. Aqui ou se é comunista ou se não é. Verdes, só os sportinguistas.
- Não me diga que vai votar de novo no PS?!
- Com muita tristeza te digo que sim.
- Tristeza? Mas porquê? O Zé Ramos até parece um tipo porreiro …
- Quando ouvi falar que o cabeça de lista da CDU era o Zé Ramos, suspirei de alívio por finalmente ir votar no meu Partido para a Junta de Quintos. Depois, depois veio o pior. Soube que afinal o Carlos Cascalheira voltava a fazer parte da lista e bem colocado. Era o prenuncio do regresso ao passado. Nestes últimos dias o Zé Ramos transformou-se. Já não é aquela pessoa sensata e cordial que tu e eu bem conhécemos. Transformou-se num autêntico caceteiro e até arruaceiro enfrentando e desclassificando quem não pensa como ele. Está injectado por Cascalheiras e outros. Chorando por dentro, outra coisa me não resta que voltar a votar no PS.
- Compreendo a sua tristeza, tio Júlio.
- Não é que considere o PS útil para desempenhar essas funções. Não! Eles já deram provas disso. Para eles o mundo gira em torno de uma bola ... de futebol. Mas apesar desses defeitos ainda conseguem ser melhores que os fanáticos da outra lista. E o pior, Luís, é que provavelmente estas são as últimas eleições para a Junta de Quintos em que posso votar. Na próxima já devo fazer parte do reino dos mortos …
- Não diga isso, tio Júlio!
- Digo Luís. E também te digo que já é tarde. É melhor irmos para cama. Boa noite Luís.
- Boa noite, tio Júlio.

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* Júlio, é o pseudónimo por mim atribuído ao meu amigo. Curiosamente, não existe ninguém em Quintos com o nome de Júlio.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sem Comentários


O Idoso

Hoje é o Dia Internacional do Idoso. Por isso, quero aqui prestar a minha Homenagem ao Idoso.
Quero acima de tudo, prestar a minha solidariedade ao idoso.
Não a todos os idosos.
Não ao idoso que se faz passear na sua limousine com motorista e segurança privados.
Não ao idoso que encontramos na rua bem vestido e maquilhado que aparenta ter menos 20 anos.
Não ao idoso que frequenta universidades sénior, ginásios, spa's, concertos, etc.
Não!

Hoje quero prestar a minha homenagem e solidariedade ao idoso que jamais me irá ler.
Que, provavelmente nem sabe ler.
Que, provavelmente nem sabe o que é a internet.
A minha homenagem vai para o idoso que, após uma longa vida de trabalho, se vê sozinho. Textualmente sozinho.
A minha homenagem vai para o idoso que vive a um canto sem amigos nem família. Ignorado. Desprezado. Violentado fisica e psicologicamente.
Uns são despejados num depósito de velhos (a que pomposamente se chama Lar de Terceira Idade), outros nem a depósito têm direito. São pura e simplesmente abandonados.
Se têm o azar de ter uma dor (o que nesta fase da vida é bastante comum) os familiares levam-no imediatamente ao hospital mais próximo e depois “esquecem-se” de o ir buscar ...
Estes idosos foram pessoas. Já não são. Foram pessoas que trabalharam uma vida. Uns mais honestamente, outros menos, mas deviam ter direitos, já que os deveres – esses! – há muito foram cumpridos. Hoje não são nada, nem ninguém.
No entanto há excepções. Há quem, mesmo com o pouco que tem se recuse a abandonar os seus idosos. Infelizmente uma minoria (muito, muito pequena). Para esses o meu Bem Hajam!
Nas civilizações que nós inteligentes (europeus e americanos) consideramos atrasadas, incultas, etc. o idoso é respeitado e venerado pelo que já fez. O idoso, para eles, é uma fonte de Saber.
Para nós o idoso é uma fonte de problemas.
Falta-nos inteligência para nos apercebermos quanta inteligência nos falta.
E é muita, seguramente.
Um bom dia do Idoso a quem não me pode ler.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Sabedoria dos Cemitérios

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Um homem foi ter com Macário, o Egípcio, e pediu-lhe um conselho profundo.
- Vai ao cemitério – disse-lhe Macário – e insulta os mortos.
O homem entrou num cemitério, injuriou demoradamente os mortos e atirou pedras aos túmulos. Depois voltou para junto de Macário e contou-lhe o que tinha feito.
- Os mortos disseram-te alguma coisa? - perguntou Macário.
- Não.
- Volta ao cemitério e diz-lhes louvores.
O homem voltou ao cemitério e apresentou os seus cumprimentos aos mortos. Chamou-lhes íntegros, inteligentes e bondosos. Louvou a sua beleza e admirou a sua glória.
Depois foi ter com Macário, que lhe disse:
- Eles disseram-te alguma coisa?
- Não.
- Pois bem, aqui tens o meu conselho. Deixa o desprezo e a lisonja. Sê como um morto
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Jean-Claude Carrière in “Tertúlia de Mentirosos

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Se conduzir, Beba!

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Não, não perdi o juízo. Não recomendo, aliás desaconselho, o consumo de bebidas alcoólicas em qualquer circunstância.
O título deste meu post vem a prepósito de um outro publicado aqui. Este blog – Direito Em Um Só Lugar – é da responsabilidade de, julgo eu, um jurista/advogado brasileiro.
No post em referência afirma-se que o Supremo Tribunal de Justiça (brasileiro) recusou, por diversas vezes, o pedido de habeas corpus interposto por motoristas no sentido de não serem obrigados a fazer o teste de alcoolemia.
E porquê?
Porque – dizem eles – a lei que os obriga a soprar o balão ou fazer análise sanguínea é inconstitucional! E suportam essa inconstitucionalidade no facto de “ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo”.
Nunca tinha olhado para este caso por este prisma.
Fiquei perplexa, confesso. Não sou advogada nem juíza – e se calhar por isso – esta notícia baralhou-me as ideias.
Não sei se em Portugal alguém já ousou questionar a justiça com base neste argumento. Nem sei se a lei portuguesa e a nossa Constituição possam permitir este tipo de argumento.
Seja como for, fiquei admirada pelo brilhantismo deste argumento.
No entanto, e que fique bem claro, se conduzir Não beba!

Esta Noite em Samarcanda

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Uma manhã, o califa de uma grande cidade viu chegar o seu primeiro vizir num estado de grande agitação. Perguntou as razões desta aparente inquietação e o vizir disse-lhe:
- Suplico-te, deixa-me sair desta cidade ainda hoje.
- Porquê?
- Esta manhã, ao atravessar a praça para vir ao palácio, senti que me batiam no ombro. Voltei-me e vi a morte que me olhava fixamente.
- A morte?
- Sim, a morte. Reconheci-a logo, toda vestida de negro com um xaile vermelho. Está cá e olhou para mim para me meter medo. Procura-me, tenho a certeza. Deixa-me sair da cidade neste mesmo instante. Levo o meu melhor cavalo e posso chegar esta noite a Samarcanda.
- Seria mesmo a morte? Tens a certeza?

- Absoluta. Vi-a como te vejo a ti. Tenho a certeza de que tu és tu e tenho a certeza que ela era ela. Deixa-me partir, peço-te.
O califa, que tinha afecto pelo seu vizir, deixou-o partir. O homem voltou a sua casa, selou o melhor dos seus cavalos e transpôs a galope uma das portas da cidade, em direcção a Samarcanda.
Um pouco mais tarde, o califa, atormentado por um pensamento secreto, decidiu disfarçar-se, como por vezes fazia, e sair do seu palácio. Sozinho, dirigiu-se à grande praça. No meio dos ruídos do mercado, procurou a morte com o olhar e avistou-a, reconheceu-a. O vizir não se tinha enganado. Tratava-se realmente da morte, alta e magra, de negro vestida, o rosto meio dissimulado sob um xaile de algodão vermelho. Ia de um grupo para outro, no mercado, sem que dessem por ela, aflorando com um dedo o ombro do homem que montava a sua tenda, tocando no braço de uma mulher carregada de hortelã, evitando uma criança que corria para ela.
O califa dirigiu-se à morte. Esta reconheceu-o imediatamente, apesar do disfarce, e inclinou-se em sinal de respeito.
- Tenho uma pergunta a fazer-te – disse-lhe o califa, em voz baixa.
- Escuto.
- O meu primeiro vizir é um homem ainda novo, de boa saúde, eficaz e provavelmente honesto. Porque é que esta manhã, quando ele vinha para o palácio, lhe tocaste e o assustaste? Porque o olhaste com um ar ameaçador?
A morte pareceu ligeiramente surpresa e respondeu ao califa:
- Não queria assustá-lo. Não o olhei com ar ameaçador. Simplesmente, quando chocámos por acaso na multidão e o reconheci, não pude esconder o meu espanto, o que ele deve ter tomado por ameaça.
- Espanto porquê? - perguntou o califa.
- Porque – respondeu a morte – não esperava vê-lo aqui. Tenho um encontro com ele esta noite, em Samarcanda.
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Jean-Claude Carrière in “Tertúlia de Mentirosos

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Melhor da Semana 39

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Termina hoje O Melhor da Semana.
Por motivos de ordem profissional é-nos impossível (a mim e à Drª Deolinda) manter esta rubrica sem ajudas.
O esforço é considerável. Analisar semanalmente mais de 500 (quinhentos) posts para escolher o melhor requer da nossa parte um esforço e uma dedicação temporal que se tornou incompatível com os nossos afazeres profissionais e pessoais.
Em suma, não temos tempo. Lamentamos. Mas não desistimos!
Passaremos a eleger não O Melhor da Semana, mas O Melhor do Mês! A começar já no próximo mês de Outubro, inclusive.
No entanto, assim que estiverem reunidas condições, retomaremos a publicação de O Melhor da Semana.
Quero, em meu nome pessoal e da Drª Deolinda, apresentar as nossas desculpas por esta alteração.


Para a semana que passou, semana 39 e última do mês de Setembro, elegemos o post com o título de “The Champ” publicado no passado dia 24 aqui. (O post não é lincável por opção do editor do blog).
Aborda um tema que nos deveria fazer reflectir. A todos nós.
A imagem comove-me profundamente.
Todos nós temos uma vida demasiado curta. Valerá a pena isto?!
Eis o post:



The Champ


Quando vi esta foto recordei O Campeão, possivelmente o único filme em que as lágrimas me rolaram pela face. Sei que a "história" não era grande coisa (tanto que só recordo passagens) mas a cena final esburacou-me a couraça: o discurso de despedida de um miúdo lavado em lágrimas agarrado ao cadáver do pai, o seu Champ, falecido após combate de boxe. Bom seria que me tivessem poupado e não publicassem esta foto, não por me ter trazido à memória O Campeão e a cena a que fiz alusão, afinal é ficção, mas para não sentir revolta por ver um miúdo órfão em pranto junto à urna do pai que é cadáver por culpa de mais uma guerra que só envolve interesses económicos e políticos de países que até estão geograficamente a léguas e léguas do local onde foi montado o teatro de guerra. Dizem-nos que é em prol da Paz, que é para combater o terrorismo, mas haverá maior terror do que este que servem às suas próprias crianças? Pelo menos, em acto de contrição, poupem-nas e resguardem-nas desta exposição mediática que só tem por objectivo manipular a mente de quem vê para que tome o partido que lhes interessa, o deles.