sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Show-off


Quando se termina uma missão todos gostamos de ser lembrados pela positiva, partindo do princípio que não somos masoquistas.
Há quem – porque a nossa mente é traiçoeira e recorda melhor o passado recente que o outro – aplique o seu melhor na fase final da sua missão para melhor ser recordado. Técnicas…
A administração de Barack Obama é masoquista. Muito masoquista. “Lembrou-se” agora de criticar o estado de Israel sobre os colonatos, como se essa política expansionista israelita fosse recente. Por onde tem andado John Kerry neste últimos anos?
Show-off triste, como me disse um amigo e colega da U. Texas, acérrimo partidário democrata.
Para não falar neste folclórico episódio da expulsão de russos.
Barack Obama merecia uma saída da presidência mais honrosa.

 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Pearl Harbor


75 anos depois do ataque a Pearl Harbor, um primeiro-ministro japonês visitou o local. Por todos aqueles que perderam a vida naquele fatídico dia apresentou as suas condolências. “Nunca mais devemos repetir os horrores da guerra” adiantou ainda Shinzo Abe, sem apresentar, como já se sabia, desculpas pelo ataque.
Sobre o apresentar ou não desculpas ficou-me esta frase “O Japão não tem nada que apresentar desculpas. Eles fizeram o que acharam que deveriam fazer, nós fizemos o que achámos que deveríamos fazer, nada mais do que isso. Estávamos em guerra.” Quem disse? Um sobrevivente desse ataque e veterano de guerra norte-americano.
Por vezes recebemos lições de onde menos se espera. Esta, deste sobrevivente, é uma grande lição.

Foto: Dennis Oda in New York Times
  

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Poder local

É sem dúvida o poder que se encontra mais próximo do povo. Foi o poder local - em especial nas regiões do interior onde tudo faltava - quem mais fez em prol das populações que viviam em autêntica miséria. Não podemos esquecer que muitos não tinham qualquer tipo de saneamento básico, água canalizada, arruamentos, e até mesmo eletricidade.
Transcrevo e subscrevo o que publica José Raúl dos Santos, antigo presidente do município de Ourique, no Diário do Alentejo na passada sexta-feira:
«(...) Quarenta anos depois, o poder local transformou e fez crescer aldeias, vilas e cidades, por esse país fora. Muita coisa mudou. E mudou, quase sempre, para melhor. Erros? Só não erra quem não faz. De norte a sul construíram-se equipamentos de lazer, de cultura e de desporto. Construíram-se bairros, estradas, saneamentos básicos, eletrificação em populações afastadas mas, acima de tudo, corrigiram-se problemas sociais. Corrigiram-se injustiças e conquistaram-se direitos. (...)
Ser autarca é a forma mais bela de se fazer política. O poder local é a génese da política e a forma mais digna de servir as pessoas. Poder ajudar os seus concidadãos a vencer as vicissitudes da vida e saber planear uma estratégia de crescimento para a terra que nos viu nascer é muitíssimo gratificante e um enorme desafio.
Defendo, e sempre defendi, que os municípios do interior devem ter, acima de tudo, uma preocupação social. As pessoas são, sempre, o mais importante. Satisfazer as necessidades primárias é uma obrigação, a criação de infraestruturas e o incentivo ao crescimento económico um dever. Ontem e hoje as pessoas precisam de ganhar a vida, precisam de um emprego, de um sustento. Ontem e hoje precisamos de criar riqueza e forma de fixar as populações, designadamente as mais jovens. Caso contrário a sangria da juventude nunca irá estancar.(...)
A desertificação do interior, o envelhecimento da população e a fraca natalidade são os grandes problemas e desafios do poder local, em particular dos concelhos do Baixo Alentejo.
O desemprego, o agravamento das dificuldades das famílias e o combate à exclusão social são carrascos que nos perseguem. Graças a Deus existe o poder local e instituições como as misericórdias que combatem este flagelo.
Ao celebrar 40 anos do poder local democrático saúdo homens e mulheres que, no passado e no presente, desempenharam ou desempenham cargos nas autarquias locais e que, com o seu trabalho, contribuíram ou contribuem com empenho e dedicação para o desenvolvimento dos seus concelhos, das suas cidades e das suas freguesias.»
Imagem: Logo do Município de Marinha Grande

 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Velho, o intruso

A velhice é um estágio da vida - o último - que todos nós, os que não partem antes, atingimos.
É também o momento em que nos tornamos empecilhos, nos tornamos "a mais" salvo a nossa parca reforma que é sempre bem-vinda a quem nos faz o favor de aturar.
Os mais novos questionam sempre por que carga de água os velhos não desaparecem mais cedo, quando deixam de ter utilidade. Esquecem-se ou desconhecem que também chegarão a velhos, um dia...
Há civilizações (algumas orientais, por exemplo) para quem os velhos são sinónimo de sabedoria, e como tal, respeitados; por cá são sinónimo de decrepitude.
Com a devida vénia, transcrevemos o post do Prof. A. Galopim de Carvalho no blogue De Rerum Natura:
«Mais do que a morte, assusta-me a solidão do velhos
Este flash de fim de vida, intensamente estampado nesta fotografia de Jorge Vieira [(?) esta foto é de Tony Luciani], cala bem no fundo da nossa sensibilidade, não pela sombra do companheiro que partiu, já liberto e descansado das dores do corpo e da alma, mas pela irreversível solidão da que ainda espera pelo começo dessa viagem.
Tudo dói na crueza desta imagem.
É a expressão no rosto da velha senhora, é o seu cabelinho ralo e desalinhado e o seu corpo, que se adivinha ressequido, escondido numa roupa que, por isso, ficou vários números acima.
São os sapatos e as meias, de quem não tenciona sair à rua.
É aquela mão agarrada ao canto da mesa e é, ainda a toalha, grande demais para a pequena mesa a dois, agora dobrada e a dizer que, estendida, serviu uma família inteira que se esfumou.
Pelos vincos bem marcados, esta toalha, talvez de linho, que ela própria bordou em tempos de jovem casadoira, a juntar ao enxoval, mostra que acabou de sair de um velho baú, com anos e anos de dobrada e adormecida ao lado de um saquinho de alfazema.»
A. Galopim de Carvalho in De Rerum Natura
  
 
Foto: Tony Luciani



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Hello, it's me!


Não, não foi a Adele que andou a desenhar “Hello” nos radares de controlo de tráfego aéreo da Alemanha.
Foi na passada segunda-feira, 28, que um piloto cuja identidade é desconhecida, com um monomotor Robin DR400/180 Régent com a matrícula D-EFHN, deixou nos radares a palavra “Hello” na sua trajetória de voo.
Segundo afirmou um responsável do Flightradar24 ao Guardian este avião já é conhecido pela sua arte inventiva de trajetória de voo.
Já esta tarde, entre as 14H48 e as 16H06 desenhou uma flor, como se pode ver pelo rasteio do FlightAware.
Enfim, um criativo do ar.
Imagens: Flightradar24 e FlightAware


  

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nivelar por baixo


Todos os titulares dos órgãos das autarquias locais (executivos camarários e das juntas de freguesia) deixaram de poder ser multados ou obrigados pelo Tribunal de Contas a devolver o dinheiro mal gasto, à semelhança do que já acontecia aos governantes.
Votaram a favor desta "norma" o PS e o PCP, o PSD encolheu os ombros e o CDS e o BE votaram contra.
O BE queria pura e simplesmente acabar com esta benesse para todos, foi chumbada essa proposta.
Diz o sr. ministro Adjunto Eduardo Cabrita em entrevista ao Observador "Não vejo por que razão é que o presidente da câmara de Lisboa ou do Porto ou qualquer outro, há-de ter um regime de responsabilidade diferente do meu", vai daí nivelou-se. Da forma mais simples ou mais interesseira.

  

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

As aparências iludem


Quando olhamos para esta fotografia o que nos vem à ideia é "mulher jovem, de pernas abertas e em calção". Foi esta a conclusão da esmagadora maioria de pessoas que viram esta foto na página da Baoxiao no Facebook.
No entanto não é nada disso.
Um cliente comprou uma cama nova e a vendedora enviou-lhe esta fotografia a perguntar-lhe se ele gostava desta combinação de cores para a roupa da cama. Só que, por erro, a vendedora enviou-lhe a fotografia de cabeça para baixo.
Rode a imagem 180º e veja com os seus próprios olhos.
A nossa mente é, por vezes, demasiado traiçoeira... Ou atraiçoada.
Foto: Baoxiao commune/Facebook

  

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Funeral


Parece, mas não é.
São membros do staff de Barack Obama ouvindo o presidente falar sobre a vitória de Donald Trump no jardim Rose Garden, na Casa Branca.

Foto: Jim Lo Scalzo | EPA

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Tranquilidade no caos


Uma mulher permanece calmamente sentada no seu apartamento cuja fachada foi literalmente pelos ares após uma forte explosão.
Foi hoje em Diyarbakir, Turquia.
Da explosão resultou um morto e cerca de 30 feridos.

Foto: Ilyas Akengin | AFP | Getty Images
 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Chapéus há muitos!


Afirmava Vasco Santana no filme "Pátio das Cantigas" que chapéus há muitos, e é verdade.
Mas há chapéus e chapéus e este da foto é, de facto, muito sui generis.
Trata-se do chapéu de uma espectadora na - Emirates Melbourne Cup Day - célebre corrida de cavalos realizada hoje em Melbourne, Austrália.

Foto: Paul Crock | AFP | Getty Images
 

Dedicar-se à pesca


É uma atividade lúdica interessante (não para mim, sou apenas 'pescador' de prato...).
Uma cantiga que muitas vezes ouvi (e atrapalhei com a minha voz de cana rachada) nas tabernas de Quintos, rezava assim:
«Se fores ao mar à pesca
Pesca-me uma Margarida
Margarida da minh'alma
Que anda no mar perdida».
Pois bem, caro leitor, se for à pesca tenha cuidado, pode-lhe vir no anzol um 'peixe' destes que lhe vai estragar a caldeirada!
Trata-se de um peixe robot em exibição no Pavilhão da Coreia do Sul na Exposição Internacional de Robótica de Singapura que se realiza hoje e amanhã nesta cidade-Estado.

Foto: Roslan Rahman | AFP | Getty Images
 

domingo, 30 de outubro de 2016

Senhor Doutor


É, à semelhança de Senhor Engenheiro, um título deveras apetecível, demasiadamente.
Por pura alergia hereditária nunca gostei de ser tratado pelo grau académico. Manias, dirão alguns. Gostos, responderei.
Todos sabemos que para desempenhar um cargo político governamental não é necessário – por força de Lei – ter formação universitária. No entanto, não sei se para dourar a imagem se para a enlamear (masoquismo?), dizem ter títulos que não correspondem à verdade.
Faço minhas as palavras de Eduardo Pitta no seu blogue Da Literatura, que transcrevo com a devida vénia:
[ANDA TUDO DOIDO?
Num curto espaço de dias, dois altos funcionários tiveram de demitir-se por terem feito declarações falsas sobre as suas habilitações académicas. Na segunda-feira, dia 25, foi a vez de Rui Roque, adjunto do primeiro-ministro para os Assuntos Regionais. Roque frequentou o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, sem o ter concluído. O cargo que exercia não exige licenciatura, o que acentua o ridículo da história. Ontem foi Nuno Félix, chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e Desporto. Félix era apresentado como detentor de duas licenciaturas: Ciências da Comunicação (Nova) e Direito (Autónoma). As duas universidades desmentiram.
Tudo isto é deprimente. Vivemos no país dos doutores da mula ruça. Talvez fosse bom contar um episódio à rapaziada: o maior empresário português do século XX, António Champalimaud, que não tinha estudos superiores, demitiu um funcionário que um dia o tratou por «senhor doutor». Agora é ao contrário. Gente sem licenciatura, mas que não precisa, porque tem Obra e nome feitos, aceita ser tratada por doutor na televisão e nos jornais.]
Imagem: webcedário




sábado, 29 de outubro de 2016

Tarrafal


Faz hoje oitenta anos que foi inaugurado oficialmente o campo de morte lenta do Tarrafal, em Cabo Verde.
Não podemos nem devemos branquear a história. Não deveriam ter transformado a sede da PIDE num condomínio de luxo, assim como pretendem agora transformar o forte de Peniche em empreendimento de luxo. Há memórias que deveriam ficar intocáveis para nos recordar e recordar aos vindouros que ninguém mais cerra as portas que Abril abriu.
Neste octogésimo aniversário do Tarrafal, trago a mensagem que publiquei aqui em 23 de abril de 2015.
«Tarrafal
A 23 de abril de 1936 é publicado no Diário do Governo o Decreto-Lei nº 26539 que cria a Colónia Penal do Tarrafal, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde.
Foi há 79 anos que o Campo de Concentração Tarrafal, também conhecido por campo da morte lenta, foi instituído por ordem de Salazar, para aí calar todos aqueles que ousavam desafiar os abutres do regime de então.
Este campo foi construído de acordo com os ensinamentos dos campos de concentração da Itália fascista e da Alemanha nazi e foi inaugurado em 29 de outubro de 1936.
O seu primeiro diretor, capitão Manuel Martins dos Reis, fez questão de anunciar aos prisioneiros que “Quem vem para o Tarrafal, vem para morrer!”. Esta tese é fortemente alicerçada pelo facto de o primeiro médico do campo de concentração, Esmeraldo Pais de Prata, aqui chegado em fevereiro de 1937, ter advertido os presos que não estava aqui para curar doentes, mas para “passar certidões de óbito.”
É bom relembrar para que jamais aconteça algo semelhante.»
Foto: Mapa do Campo de Concentração gravado sobre osso por Cândido Joaquim da Costa, in  Fundação Mário Soares



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Adeus espetáculo


Hoje, 28 de outubro, realizou-se o último voo do Boing 747 da companhia aérea holandesa KLM para o aeroporto internacional Princesa Juliana de Saint Maarten.
Era sempre uma aproximação à pista de por os cabelos em pé, especialmente a quem se encontrava na praia Maho Beach desta ilha das caraíbas, colónia holandesa.
É o fim dos voos deste emblemático pássaro dos céus, mas outros de menor porte continuarão as fazer as delícias de quem gosta de emoções fortes e se encontra na praia Maho.

 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Em nome de quê?


Escreve hoje o diário britânico TheTimes que há milhões de famintos numa guerra esquecida onde bombas sauditas arrasam o Iémen.
Segundo afirmou ontem o Programa Mundial de Alimentação da ONU o Iémem tem uma das mais altas taxas de malnutrição do mundo, onde mais de 14 milhões de pessoas passam fome e metade destas encontram-se à beira da morte por desnutrição.
Iémem, quase 6 vezes maior que Portugal, vive em rotura total e de tudo por diversos motivos, o último dos quais é o bloqueio e enorme bombardeamento perpetrado pelo Reino da Arábia Saudita.
Nas fotografias vemos Saida Ahmad Baghili, 18 anos, na cidade de Al Hudaydah, Iémem.
Fotos: Abduljabbar Zeyad | Reuters
Cartoon: The Times





domingo, 23 de outubro de 2016

A luta continua!


Quem luta pode vencer, quem se rende perde de imediato.
Sem delongas e tirando o meu chapéu a esta lutadora, transcrevo com a devida vénia a mensagem do blogue Histórias em 77 Palavras:
«A luta
Mamografia marcada. Entrei tranquila, mas saí a chorar. Tinha cancro da mama.
Soube mais tarde que era o Dia Nacional da luta Prevenção do Cancro da Mama.
Seguiu-se a cirurgia e meses de tratamentos agressivos.
Seis meses depois apareceu outro cancro. Desta vez na tiróide.
Outra cirurgia e novos tratamentos.
Nessa altura pensei:  Será que vou conseguir ultrapassar isto tudo?
Passaram 9 anos!
Não foi fácil, mas consegui alguns recordes pessoais.
Natália Fera, 59 anos, Moita»

 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Sono retemperador


Retempera o quê? Ao certo não se sabe.
Até hoje a ciência ainda não encontrou uma explicação para o sono, no entanto todos sabemos que a privação total do sono pode levar à morte.
A noite mal dormida – quando se torna regra e deixa de ser exceção – pode não nos levar à morte, mas dá-nos uma péssima qualidade de vida. Para que tenha ou, pelo menos contribua para ter uma boa noite de sono, aqui vos deixamos alguns conselhos de dois peritos na matéria, Dr. Gilles Besnainou, otorrinolaringologista e especialista em apneia do sono e Drª Véronique Viot-Blanc, psiquiatra e especialista em apneia do sono no hospital Lariboisière em Paris.
1. Jantar: deverá ser uma refeição ligeira porque o nosso metabolismo à noite é mais lento. No entanto deveremos comer o suficiente para não acordarmos a meio da noite com a sensação de barriga vazia.
2. Tablet ou telemóvel: estarmos “agarrados” a qualquer um destes aparelhos antes de dormir é um grave erro. Estes pequenos ecrans, em especial telas com luz azul, cativam o nosso cérebro e alteram o nosso relógio interno dificultando o dormir. A televisão, não tem esta contra-indicação. No entanto recomenda-se que bem melhor será ler um livro. Duas horas antes de ir para a cama, telemóvel ou tablet não devem ser utilizados.
3. Stress: as preocupações do dia, quer no trabalho quer na família são o pior inimigo do sono. Para ultrapassar esse problema é imperativo relaxar e fazer uma atividade tranquila nas duas horas antes de dormir. A leitura de um livro pode dar-nos a tranquilidade necessária que nos levará para os braços de Morfeu.
Não vá para a cama muito cedo, recomenda a Drª Véronique. As pessoas que têm problemas para dormir tendem a querer ir para a cama mais cedo, na esperança de dormir. É um erro.
4. Exercício físico: é um bom contributo para uma noite tranquila de sono, mas deverá ser feito até, o mais tardar, quatro horas antes de se deitar.
Foto e fonte: LeFigaro

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Ser menina, sabe qual o melhor país?


O The Daily Telegraph de ontem (11 de outubro é o Dia Internacional da Rapariga) diz que não é no Reino Unido.
O novo estudo, efetuado pela organização Save The Children, que envolve 144 países, analisa vários parâmetros nas crianças e jovens raparigas, entre os quais o casamento antes dos 18 anos, a gravidez ou conclusão do ensino secundário, entre outros.
Na lista encabeçada pelos países nórdicos – Suécia, Finlândia e Noruega – Portugal aparece num honroso 8º lugar, à frente de países insuspeitos como a Suíça, Alemanha ou o Canadá.
Isto, obviamente, não significa que Portugal seja um mar de rosas para as jovens, são valores estatísticos e como tal devem ser encarados, mas por vezes caímos na tentação de dizer mal de Portugal e dos portugueses e esquecemo-nos que também temos valores positivos. Muito positivos.

Foto: Daily Telegraph

 

As galáxias também se abatem


Samsung Galaxy Note 7 RIP.
Matt no The Daily Telegraph de hoje ironiza assim.


 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Leite de vaca... sem vaca


Modernices! Diria a minha avó se fosse viva.
Uma jovem empresa norte americana fabrica em laboratório um leite sintético a partir de leveduras que tem - dizem - exatamente o mesmo gosto que o leite original da vaquinha. Este produto será comercializado nos Estados Unidos a partir de finais de 2017, prevendo esta start-up americana passar seguidamente para o fabrico de queijos e iogurtes utilizando o mesmo processo.

Muro ecológico


Há muros que são uma vergonha, este não.
Trata-se de um cinturão de árvores - com cerca de 15 km de largura e 7.775 km de comprimento - que cruzará todo o continente africano, desde a Mauritânia até Djibuti e tem como objetivo travar o avanço do deserto do Saara.
Começou a ser construído em 2008 e deverá estar concluído dentro de 20 anos. Nessa altura a nova floresta cobrirá uma área de 11.662.500 hectares.
Segundo um estudo da FAO, os onze países implicados na construção da muralha verde — Burquina Faso, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Sudão e Chade — perdem uma média de 1.712 milhões de hectares de floresta por ano, o equivalente à área de 34 Espanhas.
O projeto é ambicioso, mas conta já com o apoio das Nações Unidas, da União Africana e do Banco Mundial, que se comprometeu a financiar o projeto com 2.000 milhões de dólares.
O maior obstáculo do ambicioso projeto poderá ser a instabilidade política. É que este muro ecológico pretende cruzar o Níger, o Sudão, Mali e Chade, países com grupos armados e organizações terroristas, que impedem a entrada de estrangeiros.
"Nem todas as comunidades vão entender o valor das árvores“, adverte a analista política Mary Harper. Em lugares como a Somália, de onde vem a maioria da população que vivem abaixo da linha da pobreza, “a nova floresta pode rapidamente transformar-se em lenha e carvão“.

 

sábado, 8 de outubro de 2016

A discussão


Há por aí um alvoroço com a Rural Beja de 2016 sobre o qual me quero pronunciar. Os atiradores são os do costume e o alvo também.
Dizem algumas mentes que deveriam contratar empresas da região e não de Ponte de Lima para a produção do evento. Não sei se estas mentes se estão a referir à nóbel Cocas Produções, Unipessoal, Lda. E porquê esta? Bom, a resposta é demasiado óbvia com uma pergunta demolidora: E por que não esta? O resto não interessa.
Estamos perante uma análise pura e simples de política. Política partidária ignóbil. Não está em causa mérito ou demérito, gasto ou poupança.
Se a empresa a quem foi adjudicada a prestação de serviço tem mérito ou não, se se está a gastar rios de dinheiros em vão ou não, são pormenores de pouca ou nenhuma valia, são apenas e só combustível para a fogueira das vaidades ou da hipocrisia.
Aplica-se aqui o velho adágio muito em uso em Quintos, “Eu não quero saber quem tem razão, eu quero é discutir”.
Triste discussão, digo eu.
Como dizia Joseph Joubert, ensaísta francês (1754-1824) “O objetivo da argumentação ou discussão, não deve ser a vitória, mas o progresso”.

 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Furacão


Nós (europeus) estamos livres destes fenómenos meteorológicos. Dizem os físicos que se a Terra girasse ao contrário seríamos nós o alvo dos ditos e o continente americano poupado.
Mas é assim que a Terra gira (não vou dizer que é assim que a Terra é gira para não ferir suscetibilidades).
Na imagem clientes do WalMart em Kissimmee, Florida, ontem em reabastecimento e observando as prateleiras de pão vazias.

Foto: Gregg Newton | AFP | Getty Images
 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Like? Never!


Se for polícia nunca coloque um “like” numa mensagem em que as qualidades e/ou virtudes do seu superior são colocadas em causa.
É proibido.
Escrevia ontem Rosa Ramos no JN que «um oficial e dois agentes da PSP estão a ser alvos de processos disciplinares por terem feito um “like” na rede social facebook. O caso ainda não está encerrado porque os polícias recorreram da decisão, mas o Núcleo de Deontologia e Disciplina da PSP já proferiu a acusação e entende que deverão mesmo ser castigados.
A história passou-se em maio de 2015, quando o jornal "Observador" partilhou uma notícia sobre o Corpo de Segurança Pessoal (CSP) da PSP no seu perfil de Facebook. Um leitor, que se identificou como "Manuel Carlos", escreveu um comentário ao post, começando por elogiar o trabalho dos agentes do CSP. Mas tecendo, logo a seguir, duras críticas à adjunta do comandante do Corpo de Segurança Pessoal...»
Todos sabemos como se atribuem “likes” - muitos, muitos mesmo – por simpatia, amizade, exibicionismo, sem lermos sequer o que lá está escrito. Não sei se foi o caso, mas acredito que os autores do “like” em questão leram o texto.
À luz do Direito um castigo com base nestes pressupostos não é apenas uma aberração jurídica, é crime!



domingo, 18 de setembro de 2016

Um apelo

Não é nosso hábito, mas abrimos uma exceção.
Não conheço o Diogo, mas conheço seu pai - Manuel Venes - que é natural de Quintos.

Oxalá o dador apareça a tempo de salvar a Vida do Diogo.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mãe!!! Tou aqui!!!


Seria este o grito de contentamento que, se pudesse, daria a amiga Philae no passado dia 2 quando foi casualmente encontrada pela sonda Rosetta. Estava incomunicável há mais de um ano, perdida na escuridão do cometa Churyumov-Gerasimenko. 
Fonte: ESA




Pingue-pongue


Pingue-pongue é um jogo inventado no século XIX em Inglaterra. Mais tarde, após se tornar uma marca registada, na Europa mudou o nome para ténis de mesa, sendo o nome pingue-pongue usado apenas no jogo de fins recreativos (fonte Wikipédia).
Nos dias que correm serve até para atribuir o direito a visto de entrada no Reino Unido, como satiriza o Matt no Daily Telegraph de hoje.

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pilinhas, o pedófilo


Pedofilia, uma “atividade” milenar. Durante séculos não só aceite como – nalgumas civilizações – considerada nobre.
Hoje é crime.
Excerto da crónica de António Lobo Antunes - o melhor escritor do mundo - na revista Visão:
«O Pilinhas
Quando acabei a instrução primária (…) os meus pais matricularam-me no Camões onde encontrei dois mestres inesquecíveis. O professor de Matemática, de alcunha Bolinhas (…) [e] uma segunda criatura que não era tão estúpida, era apenas um criminoso, conhecido pelo epíteto de Pilinhas. Esse não se ocupava de Matemática, ocupava-se da Religião e Moral, e sofri-lhe as aulas durante os dois primeiros anos. Chamavam-lhe Pilinhas porque repetia, vezes sem conta, a mesma frase:
– Só se pode mexer na pilinha para cinco coisas: fazer chichi, lavar, ajeitar, coçar mas não muito e pôr remédio.
Ao contrário dos outros professores de Moral não era padre: era médico, era careca (por acaso o Bolinhas também) fazia-nos festas e, por amor a Deus, nunca casou. Dava as aulas inteiras sentado atrás da secretária (as secretárias do Camões eram fechadas, quer dizer havia um espaço para as pernas e tudo o resto era madeira) e ia-nos introduzindo, em voz baixa e suave, na intimidade com o Divino, Mandamentos, Inimigos Do Homem, que são três, Mundo, Demónio e Carne e, a propósito da Carne, lá vinham as cinco coisas acerca da pilinha, cuja relação com a Carne (ele não explicava que espécie de carne, eu achava que rosbife) eu não entendia muito bem.
(…)
O Pilinhas, enquanto nos instruía acerca dos difíceis caminhos da Fé, começou a chamar um de nós para sentar-se ao seu lado, durante as aulas, atrás da dita secretária fechada, talvez, pensava eu, porque a proximidade mestre-discípulo por um lado premeia os bons alunos, por outro permite ao professor tomar melhor o pulso à temperatura pedagógica da turma através das reações, sentidas de perto pelo mestre, das nossas inocentes almas infantis. Só achava esquisitas as caras dos meus colegas no fim das aulas mas atribuía isso ao maravilhamento da honra de estar cinquenta minutos no estrado, diante da turma, numa posição de privilégio. Até que uma manhã ouvi o Pilinhas chamar-me
– Antunes
e dilatei-me de orgulho na carteira porque o privilégio ia, finalmente, pertencer-me. Ao
– Antunes
e eu era o único Antunes ali, seguiu-se um
– Chega aqui, Antunes
mavioso e risonho e viajei até ele num orgulho infinito, sentando-me na cadeira ao lado da sua, em cujo tampo o Pilinhas batia uma palma convidativa.
(…)
De quando em quando os dedos do Pilinhas roçavam-me o cotovelo e acabaram por ancorar nos meus joelhos, acariciando-me de leve ao início, cada vez com mais força depois, subindo- -me as coxas em beliscões simpáticos, avaliando-me a textura da pele, encontrando-me o elástico das cuecas, tudo isto enquanto dissertava acerca do Espírito Santo e me alcançava subtilmente o a seguir ao elástico, procurando, em movimentos convulsos, aquilo em que só se podia mexer para cinco coisas e tentando juntar-lhe uma sexta. A certa altura convidou a turma a ler os Mandamentos em voz alta e, aí pelo terceiro ou quarto, inclinou-se para mim numa expressão que nunca esquecerei, parecida com a do camaleão da minha tia Graça, que morava numa gaiola na cozinha, antes da boca expulsar uma compridíssima língua instantânea que filava uma mosca desprevenida, enquanto o Pilinhas, de lábios quase colados à minha orelha, perguntava num cicio que me horrorizou, enquanto me apertava com langor as cuecas que a minha mãe adaptava do meu pai para mim:
– Já tens leitinho aí?
pergunta que me deixou atónito: quem tinha leite era a minha mãe, que amamentava os meus irmãos que sucessivamente iam nascendo, de mim a única coisa que saía era chichi e, portanto, cheguei a casa confusíssimo. O meu pai estava, como de costume, no escritório, de olho no microscópio, e levei que tempos a ganhar coragem para lhe falar. Via-lhe apenas as costas e não era capaz até que, sem conseguir aguentar-me mais, me saiu sei lá de onde a pergunta aflita
– Ó pai eu tenho leite?
O resto foi simples e rápido, não demora muito a contar. O meu pai ficou imóvel até olhar para mim numa expressão de estranheza:
– O quê?
Repeti embaraçadíssimo
– Já tenho leite?
o meu pai, franzido
– Que história é essa?
eu
– O professor de Moral perguntou-me se eu tinha leite neste sítio
a apontar-lho enquanto o meu pai
– Repete lá essa história
eu
– O professor de Moral perguntou-me se eu tinha leite neste sítio e convidou-me para em lugar de almoçar no Camões almoçar em casa dele
e depois vi o meu pai de pé, e depois vi o meu pai a vestir o casaco numa velocidade impensável, e depois vi o meu pai sair a correr, e depois vi o meu pai, da janela, entrar no carro, e depois vi-o chegar uma ou duas horas depois, e depois ficámos sem lições de Moral durante um mês. Um dos contínuos informou-nos que o professor estava doente. O meu pai nunca foi para graças. Lembro-me que nesse dia jantou em silêncio. Quer dizer não bem em silêncio porque entre o prato e a sobremesa
(o meu lugar ficava à sua direita)
o ouvi murmurar
– Filho da puta
e não tornou a abrir a boca. Teria trinta e poucos anos nessa altura, não dizia palavrões e foi o único que alguma vez lhe escutei. E é tudo quanto conheço acerca desse assunto.»
 

Desenho: Susa Monteiro in revista Visão